Segurança Privada no Brasil – Grandes Desafios!

Publicado em segunda, 30 novembro 2020
Segurança Privada no Brasil – Grandes Desafios!

Você empresário, já pensou nisso?

É inegável nos dias de hoje a necessidade praticamente social, acima de tudo, da complementariedade da Segurança Privada na tratativa da violência urbana junto ás Forças Públicas de Segurança. O setor privado atua com foco preventivo, buscando desestimular investidas criminosas á pessoas e patrimônios.

Trata-se, em sua pretensão básica, da união de força fundamentada em políticas públicas de segurança, um estado de sinergia coordenado intrinsecamente por uma demanda comum, a criminalidade.

Os dados estatísticos relativos à segurança em nosso país justificam, ou, ao menos contribuem, para o entendimento desta premissa. Infelizmente somos uma sociedade considerada violenta na análise de especialistas de diversos setores, inclusive acadêmicos.

Fatores de ordem social diversos contribuem para a manutenção desses números, estudiosos apontam a desigualdade social crônica como um dos principais pilares de estímulo, fator gerado pela ausência de politicas públicas que fomentem o crescimento econômico, com base na educação, cultura, saúde, inclusão social.

Fatos ocorridos fatidicamente como numa grande rede de hipermercados no Sul do país na semana passada, onde o emprego de força física desproporcional e injustificada levou ao falecimento de uma pessoa, produzem naturalmente questionamentos sobre o tema segurança, ou, melhor dizendo, proteção, em nosso país.

Vale dizer que todo segmento de Segurança Privada no país através de seus órgãos representativos externaram seu sentimento de tristeza, solidariedade aos familiares e plena reprovação pela forma de ação que culminou naquele resultado.

O ano de 2020 realmente foi um ano diferente, a pandemia do COVID 19 mudou o mundo, repentinamente.

A economia dos países sentiu muito, empresas fecharam suas portas, o desemprego chegou a patamares nunca vistos, a violência, em especial, doméstica saltou, a educação das crianças sofreu.

Tudo isso fez com que empresas buscassem alternativas de sobrevivência em seus mercados, não estamos falando de crescimento, e sim da manutenção, sobrevivência de seus negócios.

As empresas de segurança durante este período foram classificadas como de atividade essencial, dentre outros setores tão importantes nesse momento tão complexo.

NESTE SENTIDO VEM A REFLEXÃO SOBRE O MERCADO DE SEGURANÇA NO BRASIL.

Notam-se muitas empresas que não respeitam a legislação do setor e que acabam tendo espaço no mercado basicamente por apresentarem preços mais baixos frente a empresas legalmente constituídas e habilitadas para este tipo de serviço.

É uma forma de paralelismo fundamentado numa economia de mercado que geralmente traz sérias consequências. A busca por melhores condições de preços numa tentativa de potencialização de negócios faz com que haja uma interpretação errônea entre valor x custo.

Uma economia considerada questionável sob a ótica dos riscos envolvidos nesta operação de escolha do fornecedor, o que a realidade mostra e comprova através de situações catastróficas, os resultados produzidos ao longo do tempo.

A Lei 7.102/83 regulamenta a prática dos serviços de segurança no Brasil. Nela, dentre outros fatores regulatórios, estabelece-se que as empresas de segurança, assim como seus profissionais vigilantes, atuem sob jurisdição da Polícia Federal.

Existe em poder do Senado Federal aguardando aprovação de seu texto, diversas vezes discutido ao longo de mais de uma década, o Estatuto da Segurança Privada.

Esse Estatuto irá substituir de maneira atualizada, baseado no atual cenário social e técnico, a antiga legislação.

Esse documento fora elaborado por grandes especialistas do setor de Segurança Privada com diversas contribuições ao longo de sua redação.

Além de lapidar quesitos como a formação técnica e acadêmica dos profissionais de segurança, traz também um capítulo muito interessante que fala da regulamentação do mercado de Segurança Privada, desestimulando a contratação de empresas que não estejam dentro dos princípios legais definidos.

O risco de uma contratação inadequada remete o tomador de serviços a uma situação potencialmente crítica, não somente no âmbito trabalhista, fator também de salutar relevância, mas também, a partir da aprovação do Estatuto da Segurança Privada, a responsabilização pela contratação de uma empresa dita “irregular”.

Acredita-se que o assunto seja incluído na agenda do Senado Federal nos primeiros meses do próximo ano. O setor aguarda com ansiedade esse trâmite.

Fundamental que o mercado consumidor dos serviços de Segurança Privada em nosso país tenha consciência da importância da contratação de empresas regulares, que ofertem serviços adequados, que cuidem de seus clientes desde o início do relacionamento, assessorando em todos os aspectos.

Uma contratação não deve fundamentar-se somente em estratégias de barateamento de custos através de ações paralelas e ajustadas para se atingir um preço menor possível.

Estamos falando sobre profissionais que estarão dentro de nossas casas e empresas conhecendo nossas rotinas, interagindo com nossas famílias e amigos, participando de nossas vidas.

Esses profissionais precisam estar ali muito mais do que simplesmente de corpo presente, necessitam estar devidamente preparados para situações de crise, nos apoiando de maneira pessoal, focada, profissional.

Para tanto, a formação e desenvolvimento continuado são requisitos imprescindíveis.

É sabido pelas empresas sérias que atuam neste segmento que um grande, talvez o maior, diferencial é o investimento na preparação de seus profissionais.

As lideranças precisam receber uma especial atenção em habilidades de comunicação, gerenciamento de conflitos, relacionamento interpessoal, negociação, dentre outros.

Neste sentido, com vistas ao futuro e com propósito de atender as necessidades e expectativas de seus clientes o Grupo Semprel Segurança inaugurou recentemente seu CTA – Centro de Treinamento Avançado.

Espaço voltado para capacitação de profissionais de Segurança cujo propósito é estreitar a cultura de aperfeiçoamento de seus colaboradores e contribuir para a instrução técnica do mercado de Segurança Empresarial em geral.

Vale muito contribuir com este objetivo a fim de preparar profissionais para atenderem cada vez melhor as importantes demandas da Segurança, qualificar o mercado, oferecer melhores experiências aos clientes.

Finalizando, nossa consultoria sugere que os contratantes sempre busquem informações sobre as melhores práticas, consultem órgãos e entidades representativas do setor, interajam com amigos, pois o correto dimensionamento de um serviço de Segurança é fundamental para que uma solução atual não se transforme num grande problema no futuro.

Dados Importantes:

v O vigilante é o profissional que tem a função de preservar patrimônio e vidas, trata-se de uma profissão devidamente regulamentada pelas Leis N. 7.102/83 e 8.863/94 do Código Civil Brasileiro.

v Para o exercício da profissão é obrigatório o curso de formação em Academia especializada, registro na Polícia Federal, porte da Carteira Nacional de Vigilante (CNV) e porte de arma em serviço.

v Por força da Lei, o profissional vigilante é submetido a reciclagem periódica a cada dois anos.

 

O autor é Gerente Geral no Grupo Semprel Segurança e Consultor de Segurança Empresarial.

Marcelo Pires.

CRA 150096